quarta-feira, 23 de fevereiro de 2011

Polêmica de Manaus

O Amazonas é um gigante, já o ignorante prefeito amazonino é um diminutivo

Fotos: O prefeito descompondo a moradora e o secretário do Meio Ambiente

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O prefeito de Manaus, que tem preconceito contra os paraenses, tem como assessor um paraense de Santarém.


Chama-se Marcelo Dutra (de terno, ao lado) um dos principais e mais antigos assessores políticos do prefeito de Manaus, Amazonino Mendes. Marcelo é, inclusive, o atual secretário de Meio Ambiente da Prefeitura de Manaus. Nasceu na cidade paraense de Santarém e, como tantos outros paraenses na capital amazonense, ocupa um lugar de destaque naquele Estado.

Seria ainda interessante indagar os motivos de algumas visitas de Amazonino ao Pará, especificamente a Santarém e, sobretudo a Alter do Chão. E ainda as razões por que vários políticos manauaras são favoráveis à separação Oeste do Pará do restante do Estado. No mínimo, uma situação esquizofrênica, de quem ama e, ao mesmo, odeia.

Aliás, uma das explicações para a existência do preconceito é o sentimento de inferioridade, no que os amazonenses históricos parecem guardar velhos e desnecessários sentimentos negativos, desde os tempos em que o hoje Estado do Amazonas era uma simples comarca do Pará. Como se vê, a coisa vem de longe.

Talvez isso tenha até um reforço dos livros de história. O grande historiador amazonense, um dos maiores conhecedores da historiada da Amazônia, o conservador Arthur Cezar Ferreira Reis, no livro História do Amazonas, que ele escreveu na década de 1930 ainda aos 20 e poucos anos, encontramos, na página 174:

“Em Icuipiranga, os cabanos, já quase senhores do Baixo Amazonas, libertaram o preto (de nome Bernardo de Sena). Não se sabe, com segurança se tropa que o conduziu, aderiu. O certo é que lhe coube a direção de uma forte malta de oitocentos homens com os quais marchou para assaltar Manaus”.

Onde fica Icuipiranga? No município de Santarém. Quem compunha essa “malta”? Eram paraenses. Manaus aparece na história como vítima do Pará, que tudo fez para impedir que o Amazonas se tornasse uma província, chegando a atacar a hoje capital da Zona Franca. Afinal, o Amazonas se tornou autônomo por decreto do Imperador, contra a vontade dos paraenses. De novo, a coisa não é de hoje...

No ambiente universitário, entre professores-doutores eu vi esse preconceito, que afeta até mesmo intelectuais, como o excelente escritor Márcio Souza, que, algum tempo atrás mandou uma carta ao jornalista paraense Lúcio Flávio Pinto, afirmando, entre outras coisas, que Belém tinha perdido importância cultural diante de Manaus e outras bobagens. É que Lúcio fez uma severa crítica ao livro de Márcio, intitulado Lealdade.

Num dos trechos do referido livro, o escritor amazonense afirma que, lá pelos tempos da Cabanagem, um grupo de homens gastou três dias para ir de Belém a Oriximiná de canoa a remo. Ora, nem de barco moderno se faz esse tempo, a não ser nessas lanchas voadeiras.

Mas há também outro fator a causar a inferioridade dos nossos vizinhos. Veja: Eduardo Braga já foi vereador em Manaus (1983-1985), deputado estadual (1987-1991), deputado federal (1991-1992), vice-prefeito (1993-1994), prefeito da capital amazonense (1994-1996) e governador do Amazonas (2003-2010). Concorreu ao governo do Amazonas em 1998 e à prefeitura de Manaus em 2000 sem sucesso.

Em outubro de 2002, Eduardo Braga foi eleito governador do estado do Amazonas, no primeiro turno, com 52,4% dos votos válidos, sendo empossado em 1 de janeiro de 2003. Em 2006, Braga foi reeleito no primeiro turno pelo PMDB.

No dia 31 de março de 2010, Eduardo Braga renuncia para poder disputar vaga para o Senado Federal. Nas Eleições 2010, é eleito senador do Amazonas pelo PMDB, com 42,07% dos votos (1.236.970 votos). Sua esposa Sandra Braga é sua primeira suplente.

Onde nasceu Eduardo Braga? No Pará, justamente em Santarém, onde viveu até a adolescência. Já imaginou, um paraense assim em Manaus? E não discriminaram este paraense!

A Câmara de Vereadores, a Assembléia Legislativa, a Imprensa, o Comércio, as indústrias de montagem da Zona Franca estão cheios de “paraenses”. Quase não há um hospital ou clínica onde não haja uma enfermeira “paraense”. Onde se formaram? Em Santarém, que horror!

O preconceito de largas camadas da cidade de Manaus contra os vizinhos do Pará não é recente, apenas se aprofunda na medida em que Manaus vai se tornando uma metrópole de ares mais modernosos do que Belém. Ocorre que o preconceito não é contra todos os paraenses, mas sobretudo contra aqueles da banda O este do Pará, especialmente com os de Santarém e cidades vizinhas.

Nunca se ouviu falar que os manauaras tenham alguma bronca contra a multidão de brasileiros de outros Estados que foram contribuir, como os paraenses, para a construção daquela enorme cidade no meio da floresta. A bronca é com os vizinhos, cuja cara e a pele são das mesmas cores que as deles. Se discriminam os semelhantes, discriminam a si próprios. Aí, os psicólogos sociais podem explicar.

Até os motoristas de táxi conhecem o modo de falar diferenciado.
Pergunta: O Senhor é paraense?
Resposta: Sim.
P: De onde?
R: De Santarém, mas moro em Belém (adiantei logo a conjunção adversativa para evitar que a conversa fosse longe);
“Ah, de Belém...”, retrucou-me o motorista.

A grave questão pode ter muitas explicações, uma delas com certeza parte de um certo sentimento de inferioridade que afeta tanto as pessoas mais simples até lideranças políticas.

O fato de o preconceito recair mais fortemente contra os imigrantes da banda Oeste do Pará tem muito a ver com o desprezo que os governos e demais elites do Pará dedicam àquela região, hoje uma das mais estagnadas do Estado.

Há três décadas o caminho de saída de trabalhadores e famílias inteiras não é em direção a Belém, mas na direção de Manaus. A quantidade de barcos e vôos entre Santarém e Manaus há muito é superior ao intercâmbio com a capital paraense. Nem isto nem o preconceito amazonense entram na pauta dos poderosos de Belém.

Igualmente ressalto que, indo a Manaus ao menos duas vezes por ano, a despeito desse negativismo que se generaliza e chega até aos palácios e academias, ali possuo excelentes amigos, numa cidade que comecei a ver quando tinha pouco mais de 100 mil habitantes. Os mais de 2 milhões de hoje dão a impressão de tratar-se de uma outra cidade, artificial e superposta àquela que veio dos velhos tempos da borracha.

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