terça-feira, 1 de março de 2011

Saúde Pública

Santarém ficará sem cinco máquinas de diálise

Em Santarém, onde 17 pessoas aguardam por uma sessão de hemodiálise, a decisão do governo do Estado de retirar do Hospital Regional do Baixo Amazonas cinco máquinas não foi bem aceita.

Segundo a Sespa (Secretaria de Estado de Saúde) essas máquinas estavam sem uso, mesmo havendo pacientes em fila de espera. O motivo seria a falta de recursos financeiros, pois o serviço, em Santarém, é custeado pelo próprio governo do Estado e não pelo Ministério da Saúde como deveria ser.

Três máquinas vão para o Hospital Regional do Araguaia, em Redenção, e mais duas para o Hospital Regional da Transamazônica, em Altamira.

Enquanto as máquinas saem, a tragédia que ceifou a vida de dona Raimunda Ribeiro, de 67 anos, em Belém, e que ganhou destaque nos telejornais de todo o país, pEQUIPode se repetir em Santarém.

O secretário de municipal de Saúde, José Antônio Rocha, reconhece que há uma grande necessidade de mais máquinas, mas afirma que o próprio espaço do Centro de Hemodiálise do Município não oferece condições de ampliação. Atualmente, o Centro Municipal atende a 60 pacientes. Dez máquinas oferecem o tratamento e existe uma de reserva. Outra unidade de saúde que oferece o serviço em Santarém é o Hospital Regional Dr. Waldemar Pena. Lá, existem outras 14 máquinas. Desse total, 11 estão em constante atividade e atendem a 66 pacientes. Das outras três máquinas, uma é reserva, a segunda fica à disposição da Unidade de Terapia Intensiva (UTI) do hospital e a terceira é usada em pacientes com hepatite B. Esses pacientes ficam isolados dos demais para evitar contaminação.

Todos os pacientes fazem três sessões de quatro horas durante a semana. Além disso, o transporte é por conta do governo. No Hospital Regional, não existe lista de espera, pois quando há vaga, o Centro Municipal envia o paciente para lá. Mesmo com o total de máquinas dos dois hospitais, José Antônio Rocha, reconhece a necessidade de mais aparelhos.

“Não é suficiente ainda para atender a demanda da região, tanto Santarém quanto oeste do Pará. Precisamos de mais máquinas. A própria capital do Estado está sobrecarregada e não dispõe de leitos. É mais uma discussão que vamos ter na área de saúde com o governo do Estado, na intenção de ajudar, pois não é competência do município e sim do Estado trabalhar a alta complexidade, principalmente na questão da hemodiálise”, ressalta o secretário.

No momento, o Hospital Regional atende nove pacientes pré-dialíticos, ou seja, não atestados como dialíticos. É feito um atendimento de ambulatório onde são feitos exames a cada 15 dias para saber se vão precisar de hemodiálise.

Dos 17 pacientes que necessitam do tratamento, o secretário assegura que a maioria está com menos gravidade Mas se a espera durar por muito tempo, o estado de saúde dessas pessoas pode se complicar. “Quanto ao espaço físico de hemodiálise, não tem condições sequer de absorver duas ou três máquinas, teríamos que ampliá-lo”, assegura o secretário.

Para José Antônio, a hemodiálise “é um problema crônico social que precisa ser visto e revisto pelo governo federal para que possa melhorar e disponibilizar mais atendimento para a população”.

No ano passado, duas máquinas chegaram a ficar mais de um mês sem funcionar por falta de manutenção mecânica no Centro Municipal. O caso chegou a ser denunciado, à época, pelo vereador Nélio Aguiar e pelo deputado estadual Alexandre Von.

Procurada ontem, a Sespa informou que se manifestaria através de nota, mas não enviou resposta. (Diário do Pará)

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